Leg press: o que é, como fazer e qual tipo usar no treino

Leg press: o que é, como fazer e qual tipo usar no treino

O leg press é um exercício de musculação feito em máquina, no qual você empurra uma plataforma com os pés para estender joelhos e quadril ao mesmo tempo. Ele trabalha principalmente quadríceps e glúteos, permite usar carga alta com a coluna apoiada no encosto e costuma ser uma das primeiras escolhas de quem quer fortalecer as pernas com segurança.

Primeiramente, você aprende a executar o movimento passo a passo, descobre qual posição dos pés favorece cada músculo e entende a diferença entre os modelos de máquina mais encontrados nas academias brasileiras. Por fim, há uma sugestão de séries e repetições por objetivo e respostas diretas para as dúvidas mais buscadas sobre o aparelho.

ModeloComo funcionaIndicado para
45 grausBanco reclinado, plataforma sobe em trilhos com anilhasHipertrofia e cargas altas
Horizontal (180)Sentado, empurra para frente uma pilha de placasIniciantes, idosos e retorno aos treinos
90 graus (vertical)Deitado, empurra a plataforma para cimaPraticantes experientes sem dor lombar
UnilateralUma perna por vez, em qualquer modeloCorrigir diferença de força entre as pernas

O que é leg press e para que serve no treino de pernas?

O leg press é um exercício multiarticular de membros inferiores: ao empurrar a plataforma, você estende o joelho e o quadril juntos, em um padrão parecido com o do agachamento, mas com as costas apoiadas. Dessa forma, a estabilidade tira boa parte da exigência de equilíbrio e de controle do tronco, o que libera as pernas para trabalhar com mais carga e mais foco.

Na prática, ele atende a três objetivos principais: ganhar massa muscular nas coxas e nos glúteos, aumentar a força para tarefas do dia a dia, como subir escadas e levantar do chão, e treinar pernas quando o agachamento livre ainda não é uma opção. É por isso que o aparelho aparece em quase todo treino de quadríceps para coxas fortes montado em academia.

Músculos principais e auxiliares

O quadríceps, na frente da coxa, é o motor principal do movimento, porque é ele quem estende o joelho. O glúteo máximo entra como segundo protagonista na extensão do quadril, e a participação dele cresce quanto mais o quadril flexiona na descida.

Por outro lado, os isquiotibiais, que formam o posterior de coxa, e os adutores atuam como auxiliares e estabilizadores. A panturrilha também pode ser treinada no mesmo aparelho, empurrando a plataforma só com a ponta dos pés, mas o posterior de coxa ainda precisa de exercícios específicos.

Benefícios para hipertrofia e força

O principal benefício é a possibilidade de progredir a carga com segurança. Isso acontece porque a máquina guia a trajetória e a coluna fica apoiada. Assim, dá para chegar perto da falha muscular com menor risco de perder a postura, condição importante para estimular o crescimento muscular.

Além disso, o aparelho é versátil. Por exemplo, mudar a altura dos pés, a abertura das pernas ou treinar uma perna de cada vez altera o foco do exercício sem trocar de equipamento, o que ajuda quem tem pouco tempo e quer variar o estímulo das coxas.

Como fazer leg press passo a passo com segurança

Para fazer o leg press corretamente, ajuste a máquina ao seu corpo antes de colocar carga, desça a plataforma de forma controlada até cerca de 90 graus de flexão dos joelhos e empurre sem travar as articulações no final. Afinal, esses três cuidados resolvem a maior parte das queixas de dor no joelho e na lombar ligadas ao exercício.

Comece sempre com uma carga leve nas primeiras séries, mesmo que você já tenha experiência. Dessa forma, elas funcionam como aquecimento específico e mostram se o banco, a posição dos pés e a amplitude estão confortáveis antes das séries pesadas. Se você está organizando a semana agora, veja como encaixar o exercício em um treino de perna completo para hipertrofia.

Passo 1: ajuste o banco e a amplitude

Sente-se com a lombar e o quadril totalmente encostados no banco. Além disso, nos modelos com encosto regulável, escolha uma inclinação em que você consiga descer a plataforma sem que o quadril se descole do assento.

Ajuste também as travas de segurança, quando a máquina tiver, para um ponto um pouco abaixo da sua amplitude máxima. Assim, se a carga ficar pesada demais, a plataforma para nas travas e não sobre os seus joelhos.

Passo 2: posicione os pés na plataforma

Apoie os pés no centro da plataforma, afastados na largura do quadril e com as pontas levemente voltadas para fora. O calcanhar inteiro deve ficar em contato com a superfície durante todo o movimento, porque é ele que garante uma base firme para empurrar.

Essa é a posição padrão, pois é a mais equilibrada entre quadríceps e glúteos. Mais adiante você vai ver como mudar a altura e a abertura dos pés para dar ênfase a um músculo específico, sem trocar de máquina.

Passo 3: destrave e desça com controle

Empurre a plataforma até estender as pernas, solte as travas laterais e desça devagar, levando de dois a três segundos na fase de descida. Enquanto isso, os joelhos devem acompanhar a direção das pontas dos pés, sem cair para dentro.

Em seguida, pare a descida quando os joelhos chegarem perto de 90 graus ou no ponto em que o quadril começa a sair do banco, o que acontecer primeiro. Descer além disso, com a lombar arredondada, transfere a carga das pernas para a coluna.

Passo 4: empurre sem travar os joelhos

Empurre a plataforma usando o calcanhar e o meio do pé como base, soltando o ar durante o esforço. Ao mesmo tempo, mantenha as mãos nas alças laterais para estabilizar o tronco, sem apoiar as mãos nos joelhos para ajudar a subir.

No final da subida, pare um pouco antes da extensão total, com os joelhos levemente flexionados. Finalmente, ao terminar a série, estenda as pernas e recoloque as travas antes de tirar os pés da plataforma.

Posição dos pés no leg press: qual músculo cada uma prioriza

Posição dos pés no leg press: qual músculo cada uma prioriza

A posição dos pés no leg press muda o ângulo do joelho e do quadril durante o movimento e, com isso, desloca a ênfase entre quadríceps, glúteos e adutores. A mudança não isola um único músculo, mas altera quem faz mais esforço em cada repetição, o que permite ajustar o exercício ao seu objetivo.

Estudos de biomecânica, como o de Escamilla e colaboradores, publicado em 2001 na revista Medicine & Science in Sports & Exercise, mostram que variações na posição dos pés alteram as forças sobre o joelho durante o movimento. Portanto, use a tabela abaixo como guia e, se o foco for a parte de trás do quadril, combine com um treino para glúteos.

Posição dos pésÊnfase principalCuidado
Altos na plataformaGlúteos e posterior de coxaQuadril não pode sair do banco
Baixos na plataformaQuadrícepsCalcanhar apoiado e menos carga
Afastados, pontas para foraAdutores e glúteosJoelhos na linha dos pés
Juntos no centroQuadrícepsAmplitude menor e controlada

Pés altos na plataforma

Com os pés na parte de cima da plataforma, o joelho flexiona menos e o quadril flexiona mais. Consequentemente, aumenta o trabalho dos glúteos e do posterior de coxa e reduz a exigência sobre a frente do joelho.

Assim, é uma boa opção para quem sente desconforto na patela ou quer dar mais ênfase à parte de trás das pernas. O cuidado é não exagerar na amplitude, porque nessa posição o quadril tende a sair do banco mais cedo.

Pés baixos na plataforma

Posicionar os pés na parte de baixo faz o joelho avançar mais na descida e aumenta a demanda do quadríceps. Logo, é a variação preferida de quem quer volume na frente da coxa.

Em contrapartida, a carga sobre o joelho também aumenta. Portanto, reduza o peso em relação à posição padrão, mantenha o calcanhar apoiado o tempo todo e evite essa variação se houver dor na parte da frente do joelho.

Pés afastados com pontas para fora

A base larga, com as pontas dos pés voltadas para fora, aproxima o exercício do padrão do agachamento sumô e recruta mais os adutores, na parte interna da coxa, além dos glúteos.

Para funcionar bem, os joelhos precisam seguir a direção das pontas dos pés durante toda a descida. Contudo, se eles caírem para dentro, diminua a abertura até encontrar uma posição que você consiga controlar.

Pés juntos no centro

Com os pés próximos, quase encostados, o quadríceps assume principalmente a maior parte do esforço. A amplitude tende a ficar menor, porque as coxas encontram o tronco mais cedo na descida.

Por isso, use essa variação com cargas moderadas e atenção à contração da coxa. Ela funciona bem como exercício complementar no fim do treino, depois das séries na posição padrão com carga mais alta.

Leg press 45, horizontal e 90: qual a diferença entre os tipos

Leg press 45, horizontal e 90: qual a diferença entre os tipos

A diferença entre os tipos de leg press está no ângulo em que você empurra a carga e na forma como o peso é colocado. Por exemplo, no modelo de 45 graus a plataforma sobe em trilhos inclinados com anilhas, no horizontal você empurra para frente uma pilha de placas e no vertical empurra o peso para cima, deitado de costas.

Todos trabalham os mesmos músculos, mas mudam a carga possível, a exigência sobre a lombar e a facilidade de uso. Escolher o modelo certo para a sua fase de treino faz diferença tanto no resultado quanto no conforto das articulações, principalmente nos primeiros meses de academia.

Leg press 45 graus

Esse modelo é um dos mais comuns nas academias brasileiras. O banco fica reclinado e a plataforma desliza em um trilho inclinado, carregada com anilhas, o que permite trabalhar com cargas bem altas.

Por isso, ele é o mais usado para hipertrofia de quadríceps e glúteos. Entretanto, exige atenção redobrada às travas de segurança e à amplitude, já que o peso total costuma ser maior do que em outros aparelhos.

Leg press horizontal

Nesse modelo, chamado de 180 em algumas academias, você fica sentado e empurra a plataforma para frente, em linha reta. Além disso, a carga vem de uma pilha de placas ajustada com um pino.

A troca de peso é rápida, a posição é confortável e a carga máxima costuma ser menor. Desse modo, ele é uma boa porta de entrada para iniciantes, idosos e pessoas em fase de retorno após lesão, sempre com orientação profissional.

Leg press 90 graus (vertical)

No leg press 90, também chamado de vertical, você fica deitado de costas e empurra a plataforma diretamente para cima. A gravidade age em linha reta sobre as pernas, o que deixa o exercício intenso mesmo com pouca carga.

É o modelo menos encontrado e o que mais exige da lombar, porque o quadril tende a se enrolar no fim da descida. Portanto, fica mais indicado para praticantes experientes e sem histórico de dor nas costas.

Leg press unilateral

O leg press unilateral não é uma máquina diferente, e sim uma forma de usar qualquer um dos modelos: você empurra a plataforma com uma perna de cada vez, enquanto a outra fica apoiada fora dela.

Essa variação ajuda a identificar e corrigir diferenças de força entre os lados, comuns em quem já teve lesão ou pratica esportes com predominância de uma perna. Por isso, comece com uma carga bem menor do que a usada com as duas pernas e aumente aos poucos.

Erros comuns que sobrecarregam joelhos e lombar

Os erros mais frequentes no leg press envolvem amplitude exagerada, extensão total dos joelhos e excesso de carga. Todos têm algo em comum: tiram a tensão dos músculos e transferem o esforço para articulações e coluna, justamente as estruturas que a máquina deveria proteger.

Por outro lado, a boa notícia é que são fáceis de corrigir com ajuste de peso e atenção à postura. Se você sente que o quadril trava antes de chegar a uma amplitude razoável, trabalhar a mobilidade articular de quadril e tornozelo também melhora a execução.

Descolar o quadril e a lombar do encosto

Quando você desce além da sua amplitude, o quadril gira para cima e a lombar sai do banco. Nesse momento, a coluna passa a sustentar parte da carga em posição arredondada, o que aumenta o risco de dor.

A correção é simples: reduza a amplitude até o ponto em que o quadril continua apoiado e ajuste a inclinação do encosto, quando possível. Afinal, amplitude boa é a que você controla, não a maior possível.

Travar os joelhos no fim do movimento

Estender totalmente e travar os joelhos com carga alta joga o peso sobre a articulação, sem a proteção da musculatura. Com cargas pesadas, isso pode causar hiperextensão e lesão.

Por isso, termine cada repetição com os joelhos levemente flexionados. Assim o quadríceps mantém a tensão durante toda a série, o que também favorece o estímulo para ganho de massa muscular.

Usar carga demais com amplitude curta

Colocar muitas anilhas e mover a plataforma só alguns centímetros é um erro comum em academias. O número de anilhas impressiona, mas o músculo trabalha em um trecho pequeno do movimento.

Portanto, prefira uma carga que permita descer até perto de 90 graus nos joelhos, com controle e sem tirar o quadril do banco. Se você não consegue fazer isso, o peso está alto demais para o seu nível atual.

Séries, repetições e carga para cada objetivo

O número de séries e repetições no leg press depende do seu objetivo e do seu nível de treino. Como referência, o posicionamento do American College of Sports Medicine (ACSM), publicado em 2009, recomenda faixas de 8 a 12 repetições para iniciantes e intermediários que buscam força e hipertrofia.

A carga certa é a que deixa você terminar a série com uma ou duas repetições de reserva, mantendo a técnica. Então, quando ficar fácil cumprir todas as repetições, aumente o peso aos poucos. Para entender quanto trabalho semanal faz sentido para as pernas, confira o guia sobre volume de treino.

ObjetivoSéries x repetiçõesDescanso entre séries
Iniciante2 a 3 x 10 a 1560 a 90 segundos
Hipertrofia3 a 4 x 8 a 1260 a 120 segundos
Idosos e reabilitação1 a 2 x 10 a 1590 segundos ou mais

Para iniciantes

Nas primeiras semanas, priorize aprender o movimento. Por exemplo, duas a três séries de 10 a 15 repetições, com carga moderada, ensinam o padrão e preparam joelhos e quadril para cargas maiores.

O modelo horizontal costuma ser a melhor escolha nessa fase, pela facilidade de ajuste. Treinar pernas duas vezes por semana já é suficiente para notar evolução de força nos primeiros meses.

Para hipertrofia

Para ganho de massa muscular, três a quatro séries de 8 a 12 repetições, próximas da falha, são um bom ponto de partida. Uma meta-análise de Schoenfeld e colegas, publicada em 2017 no Journal of Sports Sciences, associou 10 ou mais séries semanais por grupo muscular a maiores ganhos.

Ou seja, esse total inclui todos os exercícios para a coxa, e não só a máquina de 45 graus. Sendo assim, combine com agachamento, cadeira extensora e exercícios de posterior para distribuir o volume ao longo da semana.

Uma forma simples de progredir é a dupla progressão: escolha uma faixa, como 8 a 12 repetições, e mantenha a mesma carga até conseguir fazer 12 repetições em todas as séries. Em seguida, na próxima sessão, aumente o peso o suficiente para voltar às 8 repetições e recomece o ciclo. Por fim, anotar carga e repetições em um caderno ou aplicativo evita que você treine sempre no mesmo nível.

Para idosos e reabilitação

Para idosos, as recomendações do ACSM e da American Heart Association, de 2007, indicam treino de força pelo menos duas vezes por semana, com 10 a 15 repetições em intensidade moderada. Assim, a máquina se encaixa bem nesse público por oferecer apoio e estabilidade.

Em primeiro lugar, comece com uma série, avance para duas e mantenha uma amplitude confortável. Veja outros exercícios seguros no nosso treino para idosos e, em casos de reabilitação, siga a liberação do médico ou do fisioterapeuta.

Vale a pena incluir o leg press no seu treino de pernas?

Sim. O leg press vale a pena para praticamente qualquer pessoa que treina pernas, do iniciante ao avançado, porque combina segurança, progressão de carga e variações simples para mudar o foco entre quadríceps, glúteos e adutores. Afinal, poucos exercícios entregam tanto estímulo com tão pouca exigência técnica.

O segredo está em ajustar a máquina ao seu corpo, respeitar a amplitude que você controla e escolher o modelo de acordo com a sua fase. Comece com a posição padrão dos pés e carga moderada, anote suas cargas a cada semana e, depois de dominar a técnica, use as variações para trabalhar seus pontos fracos. Por fim, salve este artigo no celular e leve a tabela de posição dos pés para o seu próximo treino de pernas.

Perguntas frequentes sobre leg press

Leg press substitui o agachamento?

Não totalmente. Os dois trabalham os mesmos músculos, mas o agachamento exige mais do core e do equilíbrio. Por isso, o ideal é combinar ambos; veja a técnica no nosso guia de agachamento.

Leg press faz mal para o joelho?

Não, quando bem executado. A dor costuma vir de travar os joelhos, deixá-los cair para dentro ou usar carga além do controle. Portanto, quem já sente dor deve reduzir a amplitude e buscar avaliação profissional.

Qual exercício substitui o leg press?

Agachamento livre, hack, búlgaro e afundo trabalham os mesmos músculos. Sem máquina, o agachamento com halteres é a opção mais próxima. Veja mais substituições para máquinas de perna.

Leg press horizontal serve para quê?

Serve para fortalecer quadríceps e glúteos com carga mais leve e fácil de ajustar. Por isso, é indicado para iniciantes, idosos e quem está voltando a treinar, por ser estável e confortável.

Pode fazer leg press todos os dias?

Não é recomendado. Os músculos das pernas precisam de 48 a 72 horas para se recuperar de um treino intenso. Portanto, duas a três sessões por semana, com descanso entre elas, são suficientes.

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